Sábado, Dezembro 22, 2007

----- Original Message ----
From:
Francine Guilen
To: 2007 <2007@gmail.com>
Cc: 2008 <2008@googlelife.com>
Cco: 2006 <2006@casper.com.br>
Sent: Friday, December 21, 2007 23:21:42 PM
Subject: Alguns acertos de contas

Caro Ano de 2007,

É, é isso. Mais uns dias, uns pouquinhos, e vc vai chegar ao fim, amiguinho. Mais uns dias, e vc vai virar o ano passado.

A bem dizer, nem mal passado, nem bem passado, acho que ao ponto.

2007, te mando essa mensagem porque precisava desabafar. Afinal, o senhor foi mesmo um fanfarrão no decorrer desses 1.267 dias. Isso, porque eu sei que foram muito mais que 365. Não sei qual foi o seu esquema lá no céu, não sei nem que santo, anjo ou entidade é que cuidam dessas coisas (na verdade acho que é invenção cá nossa mesmo), mas vc fez alguma mutreta lá em cima, e saiu com dias a mais. Deve ter roubado uns anos bissextos, creio eu. Só isso explica sua demora, sua lentidão e sua densidade.

Minha sensação com vc, 2007, é a de que envelheci e amadureci uns 10 anos em (teoricamente) 1. E seu slogan merecia ser aquele célebre, dos 30 anos em um.

Vc é o primeiro ano que chega ao fim e não me ouve dizer "Mas já????". Vc foi mais década que ano. Vc foi, enfim, muito complicado.

Não que complicado seja chato, não é isso. Complicado faz aprender, complicado merece o meu respeito. E esquisito, então, nem fale, merece muito :). Vc foi divertido em alguns pontos... mas complexo demais, misericórdia.

Sei que olhei pra vc feio algumas vezes. É que 2006 me acostumou muito mal, sabe? Era tudo tão legal, tão feliz, tão engraçado e worthy (foi mal, não consegui pensar em substituta pra esse termo), que quando vc chegou, logo no começo, percebi. De repente, tudo se aquietou. De repente, não valia tanto a pena. Então, foi tudo acabando, uma coisa por vez, algumas ao mesmo tempo.

É por isso que encerro te dando tchau, e acho que vc deve é estar radiante de felicidade. Afinal, tchau sempre foi seu negócio, desde Janeiro. Puxa vida. Vc não agüentava ver uma formação, que chegava lá e dava um fim. Vc marcou pelo menos uns 10 finais importantes na minha vida, e isso não é café pequeno, meu querido. Mas agora, no fim dos finais, só posso dizer "fazer o quê, obrigada". Algumas coisas precisavam ter acabado mesmo, já era tempo, seguiam pela inércia. Outras pareceram ser cortadas pela metade, e isso doeu um tiquinho.

Mas o que consola é que o fim de tantas coisas é sempre o começo de outras. Ou quase sempre, enfim.

Então tá bom. É isso aí, chuchu. Não foi de todo mal. Milhões de coisas aconteceram, bilhões acabaram. Coisas que eu tinha certeza que aconteceriam nem deram sinal de vida, mas outras com as quais eu contava, aconteceram até melhor do que eu queria. E eu seria ingrata se não falasse bem pelo menos disso.

Daí, minha vida virou uma folha de sulfite em branco, e daí tou aprendendo a desenhar. Espero que em 2008 eu passe da etapa dos esboços e tenha menos medo de usar lápis de cor. Nunca me senti tão com 20 anos mesmo, agora faz todo o sentido, e só preciso me acostumar melhor com ser mais adulta que menininha. Tô aprendendo, e, vai, tô achando batuta. No fim da ópera, aprendi horrores.

De qualquer forma, a música Hovering Sombrero me acompanhou esses dias todos, muito Inspirada e Inspiradora. Nunca mais enxergarei sombreiros da mesma forma depois de vc, 2007.

Pra terminar, tou mandando em anexo essa música e um vídeo que recebi hoje, e que acho que combina muito com vc. Pensava muito na música que tocam nesse vídeo quando vc ia me fazendo dar tchau às coisas. Sinta-se à vontade pra repassá-lo pra sua lista de amigos.

Um beijo, um pouco ressentido, um pouco aliviado, e eu sobrevivi.
Fran

Anexos:

1. http://www.badongo.com/file/6005090> Música - Hovering Sombrero (They Might Be Giants)

2. Vídeo:



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Quarta-feira, Dezembro 19, 2007

Tchau, Harry Potter

é uma pena. Enrolei tanto pra escrever essa mini-resenha aqui, que o momento paixão-maior acabou passando, indo embora e me deixando na mão. De qualquer forma, promessa é dívida e seria injusto se eu não falasse dele. Lembro que quando começaram a vender "Harry Potter e as Relíquias da Morte" em inglês, vi vários posts melancólicos se despedindo da série etc e tal. Mas me segurei e só fui comprar o livro na versão traduzida.

O motivo? Comecei a ler a série em português. Por mais ansiosa que eu estivesse pra saber como acabaria essa saga, não teria o mesmo gostinho ler as xaropadas de Potter na língua anglicana. É. Pra ser sincera, isso é mais um post pessoal que uma mini-resenha. Não há muito a falar desse último livro do Harry Potter, é a continuação da história, é mais do mesmo, é muito melhor que os dois últimos, mas não é nada mais que eu esperava. E tem mais, qualquer coisa que eu fale aqui não vai mudar em nada. Agora, da História que envolve a história, isso sim é perfeitamente falável.

Não escondo de ninguém que eu admiro e invejo a dona Rowling com todas as minhas forças. Não existe isso, ela criou um fenômeno de leitura mundial em um mundo com países onde as pessoas, incluindo crianças sem incentivo algum, não escondem que detestam as letras. Não há tanta qualidade literária nas obras dela, disso todo mundo sabe, mas a façanha foi incrível. Não precisou de muito: bastou uma idéia simpática e tramas bem escritinhas, bastou estar no lugar certo, na hora certa e com o marketing certo. Você entra no ônibus e vê pessoas com o novo livro nas mãos, orgulhosas. Pra mim, o valor inestimável do Harry Potter, no âmbito não-pessoal, taí. Valorizo mais essa coisa surreal que circula as histórias, que as próprias histórias. É que eu queria muito ser capaz de coisa igual.

Agora, no âmbito pessoal, é outra história.:) Abri o primeiro livro da série no banco traseiro do carro dos meus pais, porque precisava ler pra escola (a professora tinha pedido, inusitado). Eu tinha 12 anos. Abri o último livro da série no ônibus, 8 anos depois, sentada no ônibus rumo ao estágio, no terceiro ano da faculdade, com 20 anos. Imagine o tanto que eu passei nesse meio tempo, imagine o quanto eu mudei, o quanto as coisas ficaram diferentes. As companhias e descompanhias, os velhos amigos, os novos amigos, as perdas e os ganhos. E a série da dona Rowling sempre me acompanhando, seja nos livros, seja nos filmes que os acompanharam, e na espera pelos lançamentos ou estréias. É ou não mágico? Eu acho.

O engraçado é que depois de ler o primeiro livro eu nem fazia muita questão de continuar a ler a série, não fui atingida por seu mojo. Pouco tempo depois é que resolvi ler o segundo e o terceiros, emprestados de uma amiga. Nesse meio tempo, minha irmã resolveu folhear também, e se apaixonou pela história. Foi ela quem me empolgou a respeito, e a partir daí fui comprando os próximos lançamentos. Como acontecia quando as duas se empolgavam com a mesma coisa, viramos fãs inveteradas (nerd é assim mesmo). Antes do filme ser cogitado a gente só falava em Harry Potter. A febre já era tanta que o Terra tinha uma sala de bate-papo com a temática Harry Potter. Era a época em que sala de bate-papo não era só lugar de pervertido. E, acredite, fiz muitas amizades naquela época. Eram tardes e noites de diversão com as pessoas do chat, um pessoal divertidíssimo e fiel ao chat, tipo o que acontece em fóruns. Meu apelido era SRA.Fred Weasley. Tinha a Manuela Granger, a Cho Chang, o Cavaleiro Branco, o Caco Dumbledore, Mrs Moody e outras mil pessoas que não lembro muito bem agora. Mas que chegaram a organizar uma festa surpresa de aniversário virtual pra mim. (novamente, nerd é assim mesmo.)

Quando as notícias do filme foram lançadas, foi delírio geral. Era um tal de entrar nos sites e ver quem era o ator escalado pra viver cada personagem. Perdi as contas de quantas horas eu passei jogando o joguinho de quadribol na página oficial da produçã. Daí lançaram o filme, popularizou ainda mais, a turma legal do chat foi sumindo, triste. Vai ver é esse trauma que me faz não gostar tanto dos filmes da série. Dali pra frente, restaram só os livros mesmo. Aguardados com muita ansiedade. Comprados nas férias, quase sempre, e marcando as épocas. A febre dos livros de fantasia se juntou a O Senhor dos Anéis, que me lembra tardes de RPG e cinemas nas férias de verão.

Fazendo esse flashback, eu mesma me assustei. Talvez seja isso que tenha me frustrado um pouco nos últimos livros. Fiquei mais velha, fiquei mais chata, passo mais tempo percebendo que a Rowling não sabe construir personagens, que apaixonada pelos Weasley.

De qualquer forma, a magia tem que se manter. Eu e minha irmã temos a promessa de ir assistir aos próximos filmes do Harry Potter juntas. Seria impossível não fazer isso.

Entendeu agora porque valia mais a pena contar a história que fazer uma resenha? Quanto ao último livro, ele perde o brilho diante da história por trás da série. É bom, as tramas continuam boas, mas tenho minhas críticas aos personagens, e ao final, que merecia ser muito mais estrondoso. E pra finalizar: sempre estive certa a respeito do Snape. Melhor personagem, depois da Luna e dos gêmeos.

E... e puxa, fiquei viúva. :(

Nossa, me bateu uma melancolia muito forte agora. Chamem as ambulâncias.


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Domingo, Dezembro 16, 2007

Dentistas e a Máfia dos Sisos Brancos

Meu siso nasceu e fui ao dentista. O Dentista é legal, cuida da minha arcada dentária desde que minha arcada dentária era feita de leite, coisa estranha essa.

Meu siso nasceu e foi ao dentista. Perguntei pro Dentista:

- Dentista, meu siso nasceu e vim te ver. Ouço histórias horríveis de pessoas que são devoradas pelos próprios sisos, de sisos que matam os dentes ao redor, e de línguas transformadas em sisos gigantes bem no meio da boca. Se não isso, qual é o motivo pra tanta gente arrancar o siso?

O Dentista olhou meu siso e gritou:
- Esse dente precisa ser extraído amanhã!

Depois que ele tirou a mão de dentro da minha boca, juntei meus dentes, realoquei meus maxilares e formulei:
- Mas por que?

O Dentista estacou. Vai ver pouca gente costuma questionar pessoas que possuem aparelhos capazes de sugar toda a saliva de suas bocas, mas me pareceu que o Dentista se encontrava num momento inusitado de sua carreira.

O Dentista respondeu que meu siso era um dente desnecessário. Não que ele fosse me fazer mal agora, agora ele estava até bem, até, mas a longo prazo, minhanossasenhora, a longo prazo pode até ser que ele me fizesse mal.

Eu disse, então, que se agora ele não estava me fazendo mal, preferiria respeitar a liberdade do meu siso e deixá-lo terminar de crescer em paz. Afinal, Dentista, não PRECISO arrancá-lo, preciso? O Dentista, ajustando a luz ameaçadora, daquelas usadas em depoimentos na época da ditadura, completou:

- Você não precisa arrancar esse dente. Mas você não precisa ter esse dente.

E me explicou que ele não serviria pra sorrir, porque fica escondido, não serviria pra comer, porque não tenho um siso inferior pra fazer parzinho com ele. Serviria apenas pra doer e deformar minha boca, e, veja você, já posso notar um pontinho de cárie bem aqui. De repente, me senti um siso. Não deve ser fácil para um siso, ser tratado com tanto desprezo assim. Agora entendi porque tantos sisos sofrem de baixa auto-estima.

De qualquer forma, não precisar arrancar, mas não precisar ter, isso é de uma lógica incompreensível pra mim. Prefiro ficar com a primeira negação, e foi o que eu disse. Dentista me recomendou apenas que então eu deixasse o dente quieto e cuidasse dele no decorrer de minha existência.

-Dentista, mas e o pontinho de cárie no meu siso?
- Ah, ela é ainda muito pequena, vamos deixar pra uma próxima.

Ele ignorou meu siso. Aguarda, ansioso, que ele apodreça sob meus cuidados, sei disso. Mas, ah, deixe estar. Desenvolverei uma relação ardente de amor com ele a partir de então. São 45 minutos de escovação diários. Só no siso.

O pior é que minhas suspeições estavam corretas. Aparelhos nos dentes e extração de sisos são parte de uma máfia, a máfia dental. Não quero acreditar que seja um plano pra que os dentistas ganhem mais dinheiros, então, boquiaberta enquanto tinha umas cáries sendo exterminadas, formulei minhas teorias na cadeira do Dentista:

- Depois da proibição à extração e venda de marfim de elefantes, os produtores de jóias e demais ornamentos partiram para uma maneira mais prática e segura de exploração dos recursos naturais. Os sisos são importados clandestinamente para a elite de países africanos ou de planetas mais distantes, onde colares feitos de dente são o último grito da moda.
- A fada dos dentes, perdendo espaço com o fim do imaginário infantil, agora cobra impostos muito altos dos dentistas. Se eles não entregarem determinada quantidade de dentes e fizerem um sacrifício humano por ano, o estrago na Terra pode ser grande.
- As convenções e encontros odontológicos possuem sessões de leilão, venda e troca de sisos. É uma excentricidade da classe. Quanto mais sisos um dentista tiver em sua coleção, mais ele é respeitado.
- A Seita do Siso Sagrado exige muita determinação e fé transcendental.

Dentistas são assim, aproveitam de nossa posição desconfortável e vão em frente. Ninguém se sente autoconfiante de boca aberta, sendo cegado por uma luz e ameaçado pela maquininha que faz Bzz. O homem com a maquininha que faz Bzz sempre deve estar certo.


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Sábado, Dezembro 15, 2007

Esses dias me bateu uma saudade danada d'A ARCA, aquele lugar divertido em que eu e mais uns seres legais escrevíamos sobre cinema, quadrinhos, desenhos, RPG, música e tevê. O site teve uma bela vida, mas fechou as portas no meio desse ano. Saudades.

Daí encontrei aqui no meu computador de Santos uma resenha que fiz e nunca foi publicada, acho que a última coisa que escrevi com o pseudônimo de Srta.Ni. Pra matar as saudades:



Resenha: Courtney Crumrin e as Criaturas da Noite
E hoje nós vamos falar sobre o fenômeno do Dejavú.


Às vezes a gente se depara com questões profundas na vida como “de onde viemos”, “para onde vamos” ou “por quê as pessoas perdem tempo planejando, escrevendo, colorindo e publicando certas coisas”. Courtney Crumrin e as Criaturas da Noite deixou esta última dúvida martelando no meu cérebro. E é justamente para evitar que pessoas percam tempo lendo certas coisas, que pessoas como eu perdem tempo resenhando estas tais “certas coisas”. Podem dizer que críticos são cineastas ou roteiristas de quadrinhos frustrados. É verdade. Eu fico bastante frustrada sim. Principalmente quando vejo gente ganhando dinheiro e indicações ao Eisner Awards com coisas ruins. Para que tudo seja menos dolorido, taí uma crítica que vai ser muito rápida. Nem pisque, senão você perde.

Courtney Crumrin é uma pré-adolescente que se muda, com seus pais, para uma mansão antiga de propriedade de um tio-avô misterioso. Ela não se adapta à cidade e aos novos amigos, que excluem a garota por ser diferente, e são bastante malvados. Até roubam dinheiro dos alunos mais “fracos”, veja você. Pouco a pouco, Courtney descobre os segredos da mansão, encontra livros de magia e fica sabendo da existência de “criaturas da noite”, consegue executar uma vingança ou outra e se sentir mais em casa. É, é basicamente isso.

Sou uma defensora da teoria do “podem contar a mesma história, quantas vezes for, ela sempre será boa se fizerem isso direito”. Mas não é o caso aqui. Ted Naifeh consegue a incrível proeza de contar MAL uma história que qualquer pessoa que tenha lido ou visto coisas de pré-adolescentes em um mundo fantástico já está meio cansado de ver. E quando digo contar mal não é simplesmente porque se trata de um mais-do-mesmo boboca. É porque o gibi nos apresenta um punhado de personagens com profundidade psicológica mais rasa que uma colher de chá, e acha que é só colocar uma protagonista metida a diferente, bem parecida como a Mandy das Terríveis Aventuras de Billy e Mandy, meia dúzia de referências a cultura pop e uns monstrinhos; que, pronto, já tem uma obra prima capaz de agradar à geração Tim Burton. Me desculpe, Ted, mas para criar uma história estilosa não basta uma protagonista com sobrancelhas franzidas e um par de meias listradas. Enquanto for preciso um narrador pra justificar a falta de sentido das atitudes de alguns personagens, enquanto a história tiver uma resolução estúpida e o enredo for um Ctrl C + Ctrl V malfeito de um filme ruim de Sessão da Tarde, a única coisa que resta é tocar um tango argentino.

Simples assim: você provavelmente escreveu um livro igualzinho quando tinha 10 anos. Sei que eu escrevi. Mas, se não me engano, a trama era bem mais imprevisível. Se bem que até um filme da Xuxa é mais original do que essa obra de Naifeh. Fica aí a dica. O que salva um pouco é o texto de introdução da fulana Kelly Crumrin, que elogia bastante a classe nerd. Ainda assim, fiquei com vergonha.


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Sexta-feira, Dezembro 14, 2007

eu odeio a Berrini. É uma avenida feia, pequena e resumo da desigualdade social.
Ela tenta ser a Paulista, mas precisa comer muita poluição pra chegar lá. Muita mesmo.
Concentra prédios feios e espelhados demais com pessoas feias e engravatadas demais.
Até o nome é chato, é nome de engenheiro (que meu pai me perdoe).
Não gosto, me faz mal.

A Paulista, embora seja centro empresarial e repleta de gentes sérias, mistura todo o tipo de gentes, de casperianos estudantes de Comunicação a japoneses bonitinhos de boina pessoas vendendo poesias no vão do Masp. É uma delícia de movimentação, de coisas legais, de descobertas novas. A Berrini não. É só trabalho, trabalho pra lá, trabalho pra cá. Na hora do almoço você só vê gente falando do trabalho, comentando que o gerente de planejamento comercial não entregou seus relatórios, ligando e falando que vai estar passando uma posição a respeito no celular... e reclamando e reclamando e reclamando. Não me sinto muito bem fazendo parte dessas gentes, mas lá estou eu agora. É por um bom motivo, um motivo que me deixa feliz, mas ainda assim.

E como executivo não anda de ônibus, às 18 horas os pontos lotam de terceirizados e estagiários esperando os ônibus passarem. Ônibus esses que, como acham que não serão muito esperados nessa avenida chata, às vezes passam reto, esnobando os pobres esperantes, e sempre demoram anos-luz pra passar. Além de serem, basicamente, um bando de latas velhas.

O pior era entrar no estágio na hora do almoço, sempre andando depressinha pra evitar maiores atrasos. Eu quase saía nos tapas com as criaturas, que andavam em bandos e caminhavam lenta e aflitivamente bem na minha frente. Descobri que pessoas que trabalham na Berrini andam devagar. Deve ser alguma coisa no dióxido de carbono.

E pra finalizar, o trânsito. Já que todo mundo tem dinheiro pra comprar seu carro, dá a hora de partir e todo mundo coloca os benditos na avenida ao mesmo tempo. Acontece que são dezenas de prédios com centenas de andares. Com milhares de pessoas. Acontece que é uma avenida estreita (e feia e chata, já falei isso?). Ela não comporta os carros, e temos hoje que (pelo menos pra mim) a Berrini é a região com o maior trânsito da cidade de São Paulo.

Daí que na hora do pânico ninguém mais respeita as faixas de pedestres, e é um tal de fechar o cruzamento que eu nunca vi igual.
Daí que na hora de ir embora a Francine precisa atravessar a Berrini.
Daí que ela faz mais ou menos assim:


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Quarta-feira, Dezembro 12, 2007

Morre Ottomar Pinto, governador de Roraima.

E nesse momento, 950.233 blogueiros e engraçadinhos de ocasião entram em desespero, procurando alguma lista de trocadilhos possíveis.

droga, não achei.


[começar o dia com humor negro, era essa a receita]


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Quarta-feira, Dezembro 05, 2007

Post natalino

Já faz um ano que lembro de escrever esse post, e há uns 365 dias eu esqueço. Ô diacho. Considerem este um dia histórico então.

É sobre o Itaú Personalité lá da Paulista. É que eles não sabem quando parar. Todo ano é a mesma coisa. Um dia, misteriosamente, ele acorda com neve de tecido cobrindo seus telhados. Até aí, lindo. Em seguida, surgem as bolinhas de natal, tudo colorido, junto com os caramelos listrados nas janelas e as meinhas de Papai Noel enfeitando outros cantos. Até aí, supimpa. No dia seguinte, chegam os Papais Noéis, pequenininhos, de balão, de trenó, médios, bonitinhos e bons velhinhos. Até aí, fofo. O problema é quando chegam os presentes cor de neon. O problema é quando as árvores de Natal, uma de cada espécie botânica, são plantadas. Quando os anjos cantores em tamanho real começam a disputar espaço com as renas mecânicas de narizes acesos. Quando os bonecos de neve são enfiados nos espaços que ainda restam vazios. Quando os soldadinhos de chumbo e bailarinas ameaçam a paz em meio às vacas do presépio. Quando José, Maria e seu filhinho chegam irritados, tentando dizer quem é que manda ali. Quando as árvores, ah, essas começam a cantar.

Quando as luzes piscantes são acesas e, por fim, você passa lá na frente e, atordoado diante de tanto significado natalino, cai diante do Banco, sofrendo convulsões num ataque epilético.

Queria saber o que Kassab teria a dizer sobre isso.
Queria saber como os funcionários e clientes do Itaú Personalité da Paulista fazem pra entrar no Banco, disputando espaço com tantos bonecos. No mínimo, eu teria medo.

tem umas fotos nesse blog xis aqui. Jesus. E eu nem mencionei os ursos polares.


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Segunda-feira, Dezembro 03, 2007

salada não leva a nada - parte 42

frase tão real essa. Eu tinha emagrecido, juro que tinha. Olhava-me no espelho e a menina do outro lado até me dava um tchauzinho de volta, sorridente e orgulhosa. Daí a correria da vida volta, acompanhada de seus Mc Gourmets e bisnaguinhas.

Comecei a semana muito seriamente engajada em ter uma vida natural, almocei salada, quase que tão somente. Minto. Na verdade enchi meu prato de salada, mas não tem outro jeito, não dá. No fim, comi quase que só o filé de frango, e aquele montinho verde-colorido-estrambólico ficou jogado pro canto. Resultado: cinco da tarde, correndo pra padaria comer um pedaço de bolo de fubá com chocolate, e um café com leite, porque ninguém é de ferro.

Meu problema é que, pra mim, não comer salada é um ato de rebeldia. Eu não fumo, não bebo o suficiente, não uso drogas, não faço sexo sem proteção e não pratico esportes radicais. Ora, o que então eu devo fazer, nessa vida pacata, pra substituir esse maravilhoso sentimento de, ao mesmo tempo, ter prazer e correr risco de vida?

a resposta é simples: FAST FOOD. Cada hamburger que eu como é uma mordida nesse Sistema patriarcal falido.

ah é.




ok, que venham as frutas, então. Kiwis são muito mais rebeldes que alfaces.



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Domingo, Dezembro 02, 2007

nosso primeiro e último amor é o amor próprio

sempre achei o Orkut um fanfarrão quando me falava que essa era a sorte do dia. a última vez que pedi comida chinesa, fui toda feliz direto ao biscoitinho da sorte. Qual não foi minha surpresa ao ler: nosso primeiro e último amor é o amor próprio.

adorei.


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:: o que é pargarávio?
Pargarávio ou Jaguadarte ou Jabberwacky é o nome de um poema de Lewis Carroll, em Alice Através do Espelho.

:: eis o pargarávio
Era briluz. As lesmolisas touvas roldavam e reviam nos gramilvos.
Estavam mimsicais as pintalouvas,
E os momirratos davam grilvos.
"Foge do Jaguadarte, o que não morre!
Garra que agarra, bocarra que urra!
Foge da ave Fefel, meu filho, e corre
Do frumioso Babassura!"
Ele arrancou sua espada vorpal e foi atrás do inimigo do Homundo.
Na árvore Tamtam ele afinal
Parou, um dia, sonilundo.
E enquanto estava em sussustada sesta,
Chegou o Jaguadarte, olho de fogo,
Sorrelfiflando atraves da floresta
E borbulia um riso louco!
Um dois! Um, dois! Sua espada mavorta
Vai-vem, vem-vai, para trás, para diante!
Cabeça fere, corta e, fera morta,
Ei-lo que volta galunfante.
"Pois então tu mataste o Jaguadarte!
Vem aos meus braços, homenino meu!
Oh dia fremular! Bravooh! Bravarte!"
Ele se ria jubileu. Era briluz.
As lesmolisas touvas
Roldavam e relviam nos gramilvos.
Estavam mimsicais as pintalouvas,
E os momirratos davam grilvos.


:: o que é francine guilen?
Francine é a minha graça. É um prazer que me conheça.

:: minutos de sabedoria
"There is a theory which states that if ever anyone discovers exactly what the Universe is for and why it is here, it will instantly disappear and be replaced by something even more bizarre and inexplicable. There is another theory which states that this has already happened."
(Douglas Adams)

"So remember, when you're feeling very small and insecure, how amazingly unlikely is your birth. And pray that there's intelligent life somewhere up in space, 'cause there's bugger all down here on Earth."
(Eric Idle)

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